Nesta edição do City Tour trouxemos para vocês um dos municípios mais belos e intrigantes de Minas Gerais: Santa Bárbara, que faz divisa com a Serra da Piedade, em Caeté, e a Serra do Caraça, em Catas Altas, no centro da Estrada Real. Vamos conhece-la?
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HISTÓRIA
Seus primórdios ligam a exploração mineral da região, em especial a do ouro de aluvião, e de pedras preciosas em magníficos veios.
O local foi estabelecido como Arraial de Santo Antônio do Ribeirão Santa Bárbara pelo bandeirante paulista Antônio Silva Bueno, no último mês do ano de 1704, que no dia anterior tinha fundado outro arraial nas redondezas, conhecido como Brumal.

Em menos de dez anos de sua fundação teve início a construção da Igreja da Matriz de Santo Antônio, passando a cidade ter importância na passagem entre aquela região mineira e a Corte, no Rio de Janeiro.
Sua elevação para a condição de Vila, entretanto, levou mais de centro e vinte anos para se concretizar, mas pouco tempo depois (1858) a cidade já se tornava município, com o nome de Santa Bárbara do Mato Dentro, desmembrando vinte anos depois de Caeté/MG, quando se tornou comarca emancipada.
A retomada da exploração do ouro por uma Cia. inglesa se deu a partir de 1861, contando com a posterior presença de imperador D. Pedro II naquelas plagas.
A princípio o território de Santa Bárbara abrangia as atuais cidades de Barão de Cocais, Catas Altas, Conceição do Mato Dentro, São Gonçalo do Rio Abaixo, Bom Jesus do Amparo, Nova União e João Monlevade.
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A CIDADE
Cortada ao meio no sentido norte/sul pela MG-129, tem seu centro histórico do lado oeste de suas margens, distribuído com requinte e beleza nos moldes clássicos do colonial mineiro.
Apesar de contida numa região tipicamente serrana, a área urbana de Santa Bárbara se estende de uma forma relativamente plana, com poucos logradouros mais íngremes, facilitando o acesso aos munícipes e aos visitantes.
O casario histórico cede passo à arquitetura mais contemporânea, que prevalece não só na parte mais antiga do município, como em especial na sua periferia.
Apesar desse conceito, temos que os logradouros públicos seguem a orientação portuguesa, com ruas, ladeiras e vielas estreitas e curvilíneas, dificultando a orientação dos transeuntes.
A pavimentação dessas vias públicas é bem diversificada, variando do paralelepípedo para blocos de cimento, “pé de moleque” e asfalto, conforme a necessidade do local.
Rodar por suas ruas é prazeroso ao visitante que, passo a passo vai descobrindo um pouco mais da cidade, de sua história e de seus costumes.
Atualmente sua economia se baseia na extração mineral de ferro e ouro por grandes empresas; na produção de mel e derivados; na silvicultura; no reflorestamento para produção de celulose; nas atividades agro-pecuárias de expressão regional; e no turismo ecológico, rural, histórico, cultural e de aventuras (esportes radicais), hoje em fase de franco desenvolvimento.
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ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
Construída a partir de 1908, foi inaugurada pela Central do Brasil em 1912, com o nome de Estação Santa Bárbara.
Até meados dos anos 1930 foi a ponta de linha do ramal, que então foi prolongada até Nova Era, encontrando-se com a E. F. Vitória a Minas.
O trem de passageiros continuou a circular pela linha de Santa Barbara até 1997, quando fez sua última viagem. Mas alguns cargueiros ainda continuaram a circular, principalmente os de pequeno porte que faziam manobras com vagões entre Costa Lacerda e os pátios da variante nova.
Hoje desativada, abriga projetos sociais do município.
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IGREJA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO
Dedicada a Santo Antônio e construída em 1724, no estilo barroco colonial recentemente recuperado, se destaca pelo teto da nave princioal pintado pelo Mestre Manuel da Costa Ataíde.
Erigidas como sede de vigairarias coladas, está entre as mais antigas da capitania e fica localizada na parte baixa da cidade, no extremo oeste da área urbana e rente as margens do Rio Santa Bárbara.
Seu interior apresenta uma notável harmonia de talha, ornatos e pinturas, assim como o altar-mor apresenta um retábulo em arco simplificado com pilastras internas em quartela e colunas externas retas e de fuste canelado, apoiadas sobre consolos. Está adornado com frisos dourados e policromia suave.
No alto do retábulo há uma tarja com ornatos conchóides e figuras de anjos. O trono é baixo em três degraus, acima dos quais está o Santo Antônio. Atrás do sacrário há uma pintura do Cristo carregando a cruz.
O camarim ostenta belas e delicadas figuras de anjos. Há ainda nichos com baldaquinos valorizados por belos cortinados. Segundo consta, este retábulo não é o original e tende para um rococó mais tardio em relação a data de início da construção do templo.
No forro da Capela-mor, há uma magnífica a pintura da Ascensão de Cristo do Mestre Manoel da Costa Ataíde com soluções arquitetônicas em perspectiva ilusionista e suas colunas infinitas sustentando uma cena de Cristo.
No teto da nave, a assunção de Nossa Senhora, guarda os traços do Mestre, mas é atribuída a seus discípulos que, em quantidade generosa, trabalhou no douramento e nos arremates da obra.
A Capela do Santíssimo é um marco da transição do barroco para o rococó e preserva fragmentos do altar primitivo da igreja esculpido, por volta de 1718, no mais legitimo estilo Nacional Português. Aí fica a imagem do “Senhor Morto” motivo de intensa peregrinação durante todo o ano.
Predomina nos altares uma combinação de dourado com uma policromia suave. Os púlpitos apresentam base e guarda-corpo complexos e com policromia em tons pasteis e dourados e guarnecidos com baldaquinos, sustentando anjos.
O coro da matriz de Santa Bárbara também é um dos mais belos entre todas as igrejas mineiras do século XVIII. Seu perfil em curvas avança generosamente nas laterais da nave. Seu corpo principal é sustentado por pilastras em arco. É guarnecido com belas balaustradas de madeira escura sobre base com frisos marmorizados e dourados, combinados numa incrível festa visual.
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COMO CHEGAR
Para os aventureiros que partirem da capital mineira o percurso mais usual é seguindo pela BR-381 (Rod. Fernão Dias) até proximidades de São Gonçalo do rio Acima, e então derivar para Barão de Cocais e Santa Bárbara. O trecho terá pouco menos de 110km, propício para um bom bate-e-volta.
Já para os paulistas da capital o trecho é bem mais longo e requer algum preparo para a viagem e estadia. Serão aproximadamente 700 km de viagem, a primeira metade rodando pela BR-381 (rod. Fernão Dias) até Belo Horizonte, e o restante do trajeto como narrado acima.
O carioca da gema, por sua vez, terá um trajeto intermediário de aproximadamente 480 km, que poderá ser feito inicialmente pela BR-040, até a cidade de Conselheiro Lafaiete, derivando então para Ouro Preto, Mariana e Catas Altas pela MG-129, chegando então em Santa Bárbara.
Para aventureiros de outras localidades a sugestão é o uso de um bom guia rodoviário, com a certeza que não existirão dificuldades para o acesso até o destino.
Se você já conhece a região, tem alguma crítica ou sugestão para fazer, envie-nos um comentário a respeito. Será muito útil para nós.
EDITORIAL
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Jornalista responsável: Marcos Duarte– MTB 77539/SP
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